CONFIANÇA (4)

Como se pode medir ou avaliar o quanto um cristão confia em Deus?

“Por isso, não abram mão da confiança que vocês têm; ela será ricamente recompensada. Vocês precisam perseverar, de modo que, quando tiverem feito a vontade de Deus, recebam o que ele prometeu; pois em breve, muito em breve “Aquele que vem virá, e não demorará. Mas o meu justo viverá pela fé. E, se retroceder, não me agradarei dele”. (Hb 10.35-39)

Penso que nada melhor do que as provações para trazerem a resposta. Não é de se admirar o motivo pelo qual não estamos livres de passar por tribulações. Há dois tipos de fé que o cristão pode ter:

– FÉ SIMPLES: Crê que Deus cura, liberta, abre portas, transforma.

– FÉ COM CONFIANÇA: Crê que Deus fará isso por mim.

A primeira delas acredita nas coisas que estão escritas na santa palavra, a segunda vai mais além, crê que elas podem ser vivenciadas em nossas vidas.

           As provações, incluindo nelas, as tentações trazem a revelação, a verdade.

É por meio dela que Deus separa os de fé simples dos de fé inabalável, madura, que se apóia numa confiança em Seu Deus.

Quando passamos por momentos de dificuldades, aqueles em que as circunstâncias insistem em anular nossa esperança, somos tentados a desanimar, a nos desesperar e por vezes até desistir. Então, aquilo que estava encoberto vem à tona, a fragilidade de nossa confiança em Deus.

Outro ponto importante nessa revelação. É que muitas vezes deixamos as circunstâncias que estamos envolvidos tomar um lugar maior do que Deus em nossa vida. Deus não tem interesse em nossos bens, dinheiro, conquistas, etc… Deus quer o nosso coração e a partir do momento em que com sinceridade nos entregamos à Ele e passamos à condição de filhos, Ele vai trabalhar em nossas vidas até o momento que verdadeiramente deixarmos Ele em primeiro lugar e aprendermos a confiar Nele até o ponto de descansarmos Nele. É aí que passamos a viver as promessas Dele.

Gn 22.1-5;7-14″ Depois dessas coisas, pôs Deus Abraão à prova e lhe disse: Abraão! Este lhe respondeu: Eis-me aqui! Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei. Levantou-se, pois, Abraão de madrugada e, tendo preparado o seu jumento, tomou consigo dois dos seus servos e a Isaque, seu filho; rachou lenha para o holocausto e foi para o lugar que Deus lhe havia indicado. Ao terceiro dia, erguendo Abraão os olhos, viu o lugar de longe. Então, disse a seus servos: Esperai aqui, com o jumento; eu e o rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós.[…] Quando Isaque disse a Abraão, seu pai: Meu pai! Respondeu Abraão: Eis-me aqui, meu filho! Perguntou-lhe Isaque: Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? Respondeu Abraão: Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto; e seguiam ambos juntos. Chegaram ao lugar que Deus lhe havia designado; ali edificou Abraão um altar, sobre ele dispôs a lenha, amarrou Isaque, seu filho, e o deitou no altar, em cima da lenha; e, estendendo a mão, tomou o cutelo para imolar o filho. Mas do céu lhe bradou o Anjo do Senhor: Abraão! Abraão! Ele respondeu: Eis-me aqui! Então, lhe disse: Não estendas a mão sobre o rapaz e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho. Tendo Abraão erguido os olhos, viu atrás de si um carneiro preso pelos chifres entre os arbustos; tomou Abraão o carneiro e o ofereceu em holocausto, em lugar de seu filho. E pôs Abraão por nome àquele lugar — O Senhor Proverá. Daí dizer-se até ao dia de hoje: No monte do Senhor se proverá.”

Surge uma provação na vida de Abraão. A bíblia diz que tudo o que foi escrito, para o nosso ensino foi escrito (Rm 15.4) “Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.“. O mesmo ensino dado por Deus aos heróis da fé também será a mesma escola para nós.

Quando Deus pede o filho de Abraão em sacrifício, Isaque não era o alvo de Deus. O alvo era a devoção de Abraão. Isaque estava se tornando para Abraão, mais importante e mais amado que o próprio Deus. Creio que os dias que se seguiram para Abraão foram de muita meditação a respeito do que Deus queria com tudo aquilo, talvez no meio do caminho ele já havia encontrado a resposta se de fato foi honesto consigo mesmo. Mas melhor do que isso foi que Abraão obedece à Deus prontamente, vai até o fim e recusa-se a inverter os valores. Uma vez identificado que a devoção em seu coração estava invertendo os papéis de protagonismo, ele coloca novamente Deus no centro do seu coração e CONFIA no Seu grande poder e misericórdia para, das cinzas, fazer ressuscitar o seu filho. Não foi necessário, Deus já havia alcançado seu propósito no coração do pai da fé.

Deus quer a devoção do nosso coração. Somente a intimidade vai trazer a confiança necessária. Somente conhecendo Deus como Ele é vai trazer a fé confiante, aquela que é madura, que traz descanso, que é inabalável. Aquela que Deus quer gerar em nós.

Quando invertemos os valores, Deus deixa de ser o centro. Ele não admite isso, Ele não quer isso. Pois dessa forma somos consumidos por expectativas que não se concretizam, sonhos que não são realizados, bênçãos que demoram a chegar.

1 Jo 5.14-15 “E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito.

Se Deus for o centro da nossa devoção, se Ele de fato for o nosso maior valor, então vamos querer os seus sonhos para nós. É aí que obteremos as vitórias. Quando nossa devoção à Deus nos faz vencer a nós mesmo, então entramos no lugar de glória que o Senhor tem pra nós.

Lc 14.15-24 “Ora, ouvindo tais palavras, um dos que estavam com ele à mesa, disse-lhe: Bem-aventurado aquele que comer pão no reino de Deus. Ele, porém, respondeu: Certo homem deu uma grande ceia e convidou muitos. À hora da ceia, enviou o seu servo para avisar aos convidados: Vinde, porque tudo já está preparado. Não obstante, todos, à uma, começaram a escusar-se. Disse o primeiro: Comprei um campo e preciso ir vê-lo; rogo-te que me tenhas por escusado. Outro disse: Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las; rogo-te que me tenhas por escusado. E outro disse: Casei-me e, por isso, não posso ir. Voltando o servo, tudo contou ao seu senhor. Então, irado, o dono da casa disse ao seu servo: Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traze para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos. Depois, lhe disse o servo: Senhor, feito está como mandaste, e ainda há lugar. Respondeu-lhe o senhor: Sai pelos caminhos e atalhos e obriga a todos a entrar, para que fique cheia a minha casa. Porque vos declaro que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia.”

As bênçãos que recebemos podem se tornar o objeto da nossa devoção assim como foi com Abraão. Temos que restaurar o Senhorio do Senhor em nossas vidas.

Mt. 6.25-33 “Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai Celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.”

Lc 10.38-42 “Indo eles de caminho, entrou Jesus num povoado. E certa mulher, chamada Marta, hospedou-o na sua casa. Tinha ela uma irmã, chamada Maria, e esta quedava-se assentada aos pés do Senhor a ouvir-lhe os ensinamentos. Marta agitava-se de um lado para outro, ocupada em muitos serviços. Então, se aproximou de Jesus e disse: Senhor, não te importas de que minha irmã tenha deixado que eu fique a servir sozinha? Ordena-lhe, pois, que venha ajudar-me. Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada.”

Precisamos voltar ao início de tudo, resgatar o Senhor e o Seu reino como o número um em nossas vidas.

Ap 2.5 “Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas.”

Aparentemente, inverter prioridades pode parecer algo pequeno. Muitas vezes não nos chama a atenção. Mas, pode gerar morte espiritual. Podemos perder o azeite e a lâmpada se apagar e nem percebermos.

Que o Senhor permita que possamos ser espelhos da sua glória, para a glória do Seu Nome!

 

Eberson J. Sousa – Médico e Pastor da Igreja de Camboriú

 

Igreja de Florianópolis – Proclamando a Verdade