Profeta Natã

Não havendo profecia, o povo se corrompe.

Não havendo profeta, o povo fica cego.

Natã fez três principais aparições na Palavra. Ele foi um dos profetas que acompanhou Davi, e, o começo da vida de Salomão. Davi teve três principais profetas que o orientavam em sua vida: Samuel, Gade e Natã. Este último o aconselhou durante seu reinado em Jerusalém.

Sua primeira aparição foi em 2 Samuel 7, quando Davi estava querendo construir um templo ao Senhor e o profeta lhe entrega uma palavra diretiva:

“E naquela mesma noite o Senhor falou a Natã: “Vá dizer a meu servo Davi que assim diz o Senhor: Você construirá uma casa para eu morar? Não tenho morado em nenhuma casa desde o dia em que tirei os israelitas do Egito. Tenho ido de uma tenda para outra, de um tabernáculo para outro. Por onde tenho acompanhado os israelitas, alguma vez perguntei a algum líder deles, a quem ordenei que pastoreasse o meu povo Israel: “Por que você não me construiu um templo de cedro? ” “Agora, pois, diga ao meu servo Davi: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Eu o tirei das pastagens, onde cuidava dos rebanhos, para ser o soberano do meu povo Israel. Sempre estive com você por onde você andou, e eliminei todos os seus inimigos. Agora eu o farei tão famoso quanto os homens mais importantes da terra. E providenciarei um lugar para o meu povo Israel e os plantarei lá, para que tenham o seu próprio lar e não mais sejam incomodados. Povos ímpios não mais os oprimirão, como fizeram no início e têm feito desde a época em que nomeei juízes sobre o meu povo Israel. Também subjugarei todos os seus inimigos. Saiba também que eu, o Senhor, lhe estabelecerei uma dinastia. Quando a sua vida chegar ao fim e você descansar com os seus antepassados, escolherei um dos seus filhos para sucedê-lo, um fruto do seu próprio corpo, e eu estabelecerei o reino dele. Será ele quem construirá um templo em honra do meu nome, e eu firmarei o trono dele para sempre. Eu serei seu pai, e ele será meu filho. Quando ele cometer algum erro, eu o punirei com o castigo dos homens, com açoites aplicados por homens. Mas nunca retirarei dele o meu amor, como retirei de Saul, a quem tirei do seu caminho. Quanto a você, sua dinastia e seu reino permanecerão para sempre diante de mim; o seu trono será estabelecido para sempre”. (2 Samuel 7:4-16)

No texto, o profeta vendo a benção na vida de Davi, concorda com sua intenção do coração dele. No entanto, Deus o esclarece, lhe revelando a Sua vontade e o futuro de Davi: um reino perpetuo. Salomão cumpre a profecia natural e Jesus a estabelece no espiritual.

Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. (Lucas 1:32,33)

 “E se você andar segundo a minha vontade como fez seu pai Davi e fizer tudo o que eu lhe ordeno, obedecendo aos meus decretos e às minhas leis, firmarei o seu trono, conforme a aliança que fiz com Davi, seu pai, quando lhe disse: ‘Você nunca deixará de ter um descendente para governar Israel.” (2 Crônicas 7:17,18)

A segunda vez que o profeta Natã aparece na Palavra foi porque Deus o enviou (2 Samuel 12). Desta vez, de uma forma muito mais dramática. Davi havia pecado contra o Senhor, tomando a mulher de Urias, um de seus melhores soldados, para si e, encobrindo o seu pecado matando-o na guerra. Natã lhe propõe um caso para julgamento, algo comum na época, em que o rei era também o juíz do povo. O caso, na verdade, era uma parábola profética da própria vida de Davi.

“E o Senhor enviou a Davi o profeta Natã. Ao chegar, ele disse a Davi: “Dois homens viviam numa cidade, um era rico e o outro, pobre. O rico possuía muitas ovelhas e bois, mas o pobre nada tinha, senão uma cordeirinha que havia comprado. Ele a criou, e ela cresceu com ele e com seus filhos. Ela comia junto dele, bebia do seu copo e até dormia em seus braços. Era como uma filha para ele. “Certo dia, um viajante chegou à casa do rico, e este não quis pegar uma de suas próprias ovelhas ou do seus bois para preparar-lhe uma refeição. Em vez disso, preparou para o visitante a cordeira que pertencia ao pobre”. Então, Davi encheu-se de ira contra o homem e disse a Natã: “Juro pelo nome do Senhor que o homem que fez isso merece a morte! Deverá pagar quatro vezes o preço da cordeira, porquanto agiu sem misericórdia”. Então Natã disse a Davi: “Você é esse homem! Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: ‘Eu o ungi rei de Israel, e livrei-o das mãos de Saul. Dei-lhe a casa e as mulheres do seu senhor. Dei-lhe a nação de Israel e Judá. E, se tudo isso não fosse suficiente, eu lhe teria dado mais ainda. Por que você desprezou a palavra do Senhor, fazendo o que ele reprova? Você matou Urias, o hitita, com a espada dos amonitas e ficou com a mulher dele. Por isso, a espada nunca se afastará de sua família, pois você me desprezou e tomou a mulher de Urias, o hitita, para ser sua mulher’. “Assim diz o Senhor: ‘De sua própria família trarei desgraça sobre você. Tomarei as suas mulheres diante dos seus próprios olhos e as darei a outro; e ele se deitará com elas em plena luz do dia. Você fez isso às escondidas, mas eu o farei diante de todo o Israel, em plena luz do dia’ “. Então Davi disse a Natã: “Pequei contra o Senhor! ” E Natã respondeu: “O Senhor perdoou o seu pecado. Você não morrerá. Entretanto, uma vez que você insultou o Senhor, o menino morrerá”. (2 Samuel 12:1-14)

É interessante o caso, pois a parábola de Natã se assemelha ao salmo 23 de Davi – uma palavra pastoral, algo muito versado por Davi. Davi teve mais misericórdia de uma ovelha, do que de um irmão seu. Ele mesmo dita sua sentença e é complementado por Natã:

 Comparação entre os juízos de Davi e de Natã

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Já na terceira vez, Natã aparece como um conselheiro, influenciando fortemente na sucessão de Salomão para o reinado – sendo esta uma profecia dada por Natã.

Assim, destacam-se alguns pontos interessantes nessa passagem. Primeiramente: Davi, de fato, curado de sua imoralidade sexual – não tocando na sua serva (1 Reis 1:1-4). Segundo: Davi e Betseba aparentemente não tinham intimidade, logo que, precisa da confirmação de um homem em sua história. E Natã a auxilia exatamente nisto.

Aqui é apresentado a participação e interesse de Natã na família de Davi. Adonias, um dos filhos de Davi, havia se autoproclamado rei de Israel. Natã, direciona-se imediatamente à Bateseba, mãe de Salomão. E a diz: Você ainda não sabe que Adonias, o filho de Hagite, tornou-se rei, sem que o nosso senhor Davi ficasse sabendo?

“Agora, vou dar-lhe um conselho para salvar a sua vida e também a vida do seu filho Salomão. Vá perguntar ao rei Davi: Ó rei, meu senhor, não juraste a esta tua serva, prometendo: ‘Tenha certeza que o seu filho Salomão me sucederá como rei, e se assentará no meu trono?’ Por que foi então, que Adonias se tornou rei? Enquanto você ainda estiver conversando com o rei, eu entrarei e confirmarei as suas palavras”. (1 Reis 1:11-14)

Natã, sendo homem de fé, sabia que Salomão deveria ser o sucessor – apesar de não ser o primogênito. Foi necessária sua audácia e ousadia para defender sua Palavra e proteger, assim, a honra e dignidade da família de Davi.

“Assim que informaram o rei que o profeta Natã havia chegado, ele entrou e prostrou-se, rosto em terra, diante do rei. E Natã lhe perguntou: “Ó rei, meu senhor, por acaso declaraste que Adonias te sucederia como rei e que ele se assentaria no teu trono? Hoje ele foi matar muitos bois, novilhos gordos e ovelhas. Convidou todos os filhos do rei, os comandantes do exército e o sacerdote Abiatar. Agora eles estão comendo e bebendo com ele e comemorando: ‘Viva o rei Adonias! ’ Mas ele não convidou a mim, que sou teu servo, nem ao sacerdote Zadoque nem a Benaia, filho de Joiada, nem a teu servo Salomão. Seria isto algo que o rei, meu senhor, fez sem deixar que os seus conselheiros soubessem quem sucederia ao rei, meu senhor, no trono? ” Então o rei Davi ordenou: “Chamem Bate-Seba”. Ela entrou e ficou de pé diante dele. O rei fez então um juramento: “Juro pelo nome do Senhor, o qual me livrou de todas as adversidades, que sem dúvida hoje mesmo vou executar o que jurei pelo Senhor, o Deus de Israel. O seu filho Salomão me sucederá como rei e se assentará no meu trono em meu lugar”. (1 Reis 1:23-30)

Mais tarde, Salomão escreve sobre este momento, relatando sua profunda alegria: “Mulheres de Sião, venham ver o rei Salomão! Ele usa a coroa que sua mãe lhe deu no dia em que ele se casou, no dia mais feliz de sua vida”. (Ct 3:11)

Natã foi o herói desta história. Sua sabedoria e ousadia triunfaram sobre a situação. De fato, foi um grande profeta e um presente de Deus para Davi.

  CONCLUSÃO

Natã foi um grande profeta em seu tempo. Sua sabedoria, misericórdia, firmeza e graça são marcas de um verdadeiro ministério profético na terra. Apesar de sua pouca aparição na Palavra, ainda sim, há muito do que se aprofundar com sua vida.

Sem muita informação de onde veio, pra onde foi, nem árvore genealógica, Natã é um tipo de Cristo – O Profeta. Pois, a lei e os profetas testificam de Cristo. E todos os profetas profetizaram, direta ou indiretamente, acerca de Jesus – com suas próprias vidas. Sendo baseado na fé, o ministério profético profetiza acerca do futuro e é um luzeiro para a humanidade.

Hoje é possível aprender muito sobre o ministério profético com sua vida. Em suas profecias percebemos o tripé da palavra profética: edificação, consolação e exortação.

Na primeira profecia, edificação – Davi não seria o construtor do templo, mas teria um reino perpétuo. Na segunda, exortação – enfrentamento do pecado de Davi e seu julgamento. E por último, consolo – com o conselho à Bateseba sobre o seu posicionamento diante da situação em que se encontrava.

Não somente isto, vemos também a ação completa de Deus na palavra profética: Deus é o edificador, Jesus exorta quem ama e o Espírito Santo é o Consolador. A Profecia é o próprio Deus, ou pelo menos, se relaciona intimamente com ela. Toda a Palavra é marcada com intervenções divinas através do profético, e, não é diferente com Natã.

Natã foi um consolador na hora da dificuldade, mas também soube “endurecer a testa” (Ez 3:9) contra os pecados do rei. Ele é o intermediador da Palavra em seus dias, e, suas principais palavras nada lhe envolvia – foram todas para Davi e sua família. No que se refere ao ministério profético, acontece o mesmo – não é sobre o profeta, mas sobre a palavra que ele carrega. No entanto, é necessário que haja profetas sobre a terra, pois pela prática da justiça ela é preservada. Não havendo profecia, o povo se corrompe. Não havendo profeta, o povo fica cego.

 

Josiane Germano, Leila Guimarães Pereira dos Santos e Levi Rodrigues dos Santos

*Trabalho apresentado na disciplina Ministério Profético da Faculdade Profética Teológica dos Montes – Unidade Igreja de Blumenau

 

 

Igreja de Florianópolis – Proclamando a Verdade